terça-feira, 23 de junho de 2015

a insustentável virtude da memória.

Uma viagem até Assis, no banco da frente, observando que ‘o céu está mais baixo do que o normal’
Uma reflexão sobre a imensidão do mundo ao som de Arctic Monkeys, depois do pastel da feira de quarta à noite
O desabafo de uma amiga, pegando o caminho da saída da cidade
Dedos batendo no volante, descoordenadamente, acompanhando o piano que tocava no rádio
Uma menina, sempre em paz, dormindo de boca aberta no banco de trás
Uma conversa mórbida com o carro ligado em meio à chuva fina, na frente do condomínio, cortada por um abraço seco
O desespero de uma mãe viajando com sua filha numa maca
O caminho escuro e mudo para o Adeus
A constatação, no caminho de volta da escola, de que moravam na avenida mais bonita da cidade
Revelações implícitas em meio a inúmeras viagens
Um homem chorando copiosamente, parado no acostamento, antes de tomar fôlego e prosseguir a viagem de volta
A decisão de qual faculdade fazer, em plena Marginal Tietê: um olhar de felicidade pura

O que mais importa não é o destino, e sim a estrada.
Aproveite a (absurdamente) boa memória que ainda lhe resta para guardar tais trajetos, tais momentos a portas fechadas.
O que mais importa é a jornada. Com ipês coloridos ou não.

Tenha isso em mente. Sempre. 

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